quarta-feira, 26 de abril de 2017

Como Escrever sua Monografia

 (Tempo de Leitura: 2' 29'')

A escrita da monografia não é um tema fácil. Principalmente se juntarmos a ela as últimas disciplinas, estágios e trabalho. Pesado.

Mas antes, falemos sobre ovos.

Emanuele vende ovos orgânicos. Tão orgânicos que ela que cria as galinhas. Na hora da venda, tem uma lista de pessoas VIP e eu era a última. E eu agora faço parte da nata. Vendi esse artigo em troca da prioridade da venda de ovos no meu departamento. Valeu, Manu. Meu pão com ovo tá espetacular.

Voltemos às monografias.
Segundo Perotta (2004) a escrita de uma mono pode seguir os seguintes estandartes sem medo de errar: 1. RACIOCÍNIO LÓGICO (Pq...né...tá faltando um pouco hoje em dia); 2. COMUNICAÇÃO CLARA; 3. PLANEJAMENTO (Sim, depois que tive um filho no susto aprendi a planejar tudo.) e 4. NORMAS E REGRAS.

Pensar sobre o que fez/faz sentido para você na faculdade é importante. Do que você gostou? Quais campos de identificou? Com o quê você acha que poderia se dedicar a descobrir? Se suas últimas respostas foram NADA, NENHUM e NÃO TENHO IDEIA, pode fechar o texto. Se quer algo a mais, fica comigo. Brincadeira! Leia até o fim, tem surpresa!

Converse com seu potencial orientador. Em algumas faculdades não há essa possibilidade, nem ao menos de escolher. Ok. É ruim, mas não é o fim.
Em ambos os casos, nas primeiras conversas demonstre interesse. Afinal, o trabalho é seu né, gente? Quem quer se formar mesmo? Atá!

Sempre pega bem no começo de tudo, entregar uma folhinha digitada com seus dados e:
1- Tema:
2- O que quer?
3- Como vai fazer isso?

O tema é abrangente e já te da pistas para recortar os percurso que você quer fazer. “O que quer?” já é o objetivo do trabalho e “Como vai fazer isso?” fornece o protótipo da composição da metodologia.

Na sequência, selecione três palavras-chave que são a estrutura da sua mono. Atenção, não são três frases, muito menos três tratados. São apenas palavras, mas são as que vão dar total sentido a sua produção. Por exemplo, minhas pesquisas todas se estruturam assim: Desigualdade, Juventude e Políticas Públicas.

Converse com seu orientador. Mostre tudo. Se ele não te atende, mande mil e-mails. Se você acha que ele não gosta de você, sim, ele não deve gostar mesmo. Se acha que você escreve mal, não tem problema. Isso dá pra aprender! Mas LEIA TUDO QUE ELE MANDAR. CUMPRA OS PRAZOS. MESMO QUE ELE NÃO CUMPRA. Beijinhos para minhas três orientandas do semestre (rs..)

Sem mi mi mi.

Seguiremos. Manu espero que esteja gostando. A cartela de ovos está no fim. O Mi mi mi, você sabe que foi sobre a reclamação de ter recebido 18 textos como recomendação de leitura.

Para mim, o próximo passo é o Mapa Mental. Com os três tópicos (Tema, O que quer e Como vai fazer) bem esclarecidos na sua mente, além das palavras-chave, você pode construir seu Mapa Mental/Conceitual a partir da primeira (mais importante) palavra-chave. Siga as ideias primárias que se correlacionam, depois as secundárias, terciárias e ao final você terá um ótimo plano de escrita.

Planejar é um conceito meio estranho pra muita gente. Mas eu juro, funciona. Fala aqui uma improvisadora louca em tratamento.

Depois do Mapinha pronto, transforme as palavras em frases e construa os capítulos,  seções e até parágrafos mais claros.

Liste os autores encaminhados por seu orientador e sintetize seus conceitos em apenas uma palavra ou no máximo frase curta. Olhe para seu Mapa e “encaixe” os autores nas seções que você julgar adequadas. Isso já te dá a precisão necessária da posição que os autores vão entrar no seu trabalho. Questões como quem entra no capítulo 1 ou 2, estarão possivelmente controladas pelo seu Mapa que agora estará em pleno funcionamento para você seguir seu plano de escrita.

Minha última dica: ESCREVA! Redija! Sente e pense! Comece pela conclusão e todo o processo de escrita estará bem direcionado. Escreva tudo, inclusive o título com a conclusão no seu horizonte. Isso “amarra” os argumentos do seu trabalho e faz com que você se distraia menos do foco.

Ah, escrever não é linear. Então, olhando seu Mapa Mental/Plano de Escrita, você pode escrever com segurança um pedacinho do capítulo 2 e outro pedacinho do 1 sem o risco de se perder nas ideias. Ou pelo menos com o risco minimizado.

Escrever é um processo lindo. É se colocar no mundo. Uma forma de se expressar sobre um tema que você gosta. Curta o momento. Pode parecer que eu estou te sacaneando, mas há beleza. Um pouco, mas há.

Por hoje é só pessoal.
Se você tiver uma sugestão de tema, escreve para mim.

Com amor,
Ju :)

SURPRESA:

Ah, eu vou fazer uma Oficina de Escrita Acadêmica no mês de julho. Se você é do Rio de Janeiro e gostaria de estar comigo na construção de seu projeto de monografia ou mestrado, me manda um email: julianaprata.prof@gmail.com
Serão 4 horas presenciais muito produtivas .

Na etapa presencial você sai com seu Plano de Escrita pronto, detalhando tudo o que você deve fazer para escrever seu trabalho. Estou estudando a possibilidade de fazer um acompanhamento virtual também.

O meu papel não será o de substituir seu orientador e nem de escrever por você, mas te oferecer um apoio técnico e metodológico consistente e um treinamento pessoal de estudos e escrita acadêmica.

E se você não tem uma mono nem um projeto de mestrado e ainda assim quer estudar comigo, será muito legal. Nosso foco será mais aberto e eu vou poder te oferecer minhas ferramentas desenvolvidas nos últimos anos para alta performance acadêmica.

Vou oferecer duas bolsas gratuitas para graduandos em escrita de monografia. Já fui graduanda, sei como é essa vida.

Se te interessou, me manda um e-mail. Juro que o preço é acessível.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Construindo um Projeto de Mestrado


Esse texto foi pensado com muito amor para uma ex-aluna, Analú. Uma das mais perspicazes. Fui sua professora de Sociologia no Ensino Médio. E, para minha grande felicidade e realização, ela está concluindo sua graduação em Ciências Sociais e se prepara para o mestrado.
Se você também tem interesse em saber como construir um pré-projeto de mestrado, fica comigo! Aqui as dicas são sempre certeiras!

Quero falar que trato de pré-projeto e não de projeto porque entendo que ele pode e vai mudar. Então, se liga.

1- Participe do grupo de pesquisa de seu orientador de monografia.

Esse é um caminho mais simples para o mestrado. Eu sei que tem trabalho, casa, vida, tudo. Mas você deve priorizar. Para o mestrado o mais importante é a pesquisa. Não exatamente a sua, mas do seu orientador. É sério.
Analú, sei que você não tem TCC e por isso minha sugestão de escolha de orientador é sempre: 1- boa pessoa (Não chame o capeta pra sua vida é uma de minhas metas) e 2- tema legal. Pense nos seus professores que atuam na pós.

2- Não tem orientador? Vá ao site do programa de pós-graduação e leia sobre as linhas e pesquisas.

Busque os professores que trabalham com temas interessantes e que você gostaria de estudar e pesquise seus currículos Lattes (lattes.cnpq.br). Procure no Lattes dos professores os autores que eles usam na estrutura de suas pesquisas. Isso é bem fácil. Leia os títulos dos trabalhos, podem vir escritos os nomes de alguns referenciais. Ou mesmo baixe dois ou três artigos do potencial orientador e vá direto para as referências para identificar pelo menos três autores trabalhados.

3- Apresente-se!

Sim, na cara de pau. Envie um e-mail (está na página do Lattes de sua vítima, digo, potencial orientador). Marque um encontro de preferência antes de o edital ser publicado, por questões éticas óbvias. Como fazer isso? Beibe, estamos em abril. Período certo para se fazer isso. Os editais de processos seletivos de mestrado começam a pipocar de julho a setembro. Corre então na página do programa que você quer e baixa o edital do ano passado e pesquisa. Não sabe qual página? Dá um google: mestrado em ... e vão aparecer universidades públicas e privadas que têm programas de pós-graduação Stricto Sensu.
Ah, se convide para o grupo de pesquisa!


4- Apresente-se mesmo!!

Se deu para conversar com a pessoa, show. Se não deu, continue na luta. Eu conheci minha orientadora querida, ao contrário dos mitos acadêmicos, NO MOMENTO da entrevista. Não faça isso, é muito arriscado. O que você escolheria: um estudante que você conhece e sente firmeza ou um que nunca viu e nem sabe se foi ele mesmo que fez o pré-projeto? Pois, é.

5- Apanhado de ideias

Com a lista de autores-referência, leia dois ou três artigos, principalmente os que vêm citados nos artigos de sua vítima! Grife, entenda, resuma, estude. Após esse processo, faça um brainstorming das suas ideias no papel. Escreva todas as palavras que vem à mente sobre o tema que você está construindo. Escreva por 20 minutos. Fique concentrado. Sua mente vai ser estimulada à uma composição aparentemente aleatória que montam um universo de conceitos que podem ser muito bem aproveitados na escrita.
Você pode estar pensando em fazer uma sessão dessas todos os dias. Perda de tempo. Nosso cérebro funciona por padrões estabelecidos por nossos hábitos e preferências. Essa atividade é para ser realizada com intervalos grandes de tempo. Caso contrário, você vai encontrar praticamente as mesmas palavras. Vai por mim.

6- Possibilidades de escrita: O quê? Como?

Então, agora vamos organizar essa bagunça. Leia as palavras de sua tempestade mental e garimpe a que faz mais sentido para você. Por onde você começaria. Pense exatamente o que você gostaria de pesquisar e como, a princípio.
Digo a princípio porque é um pré-projeto. Ele pode e talvez vá mudar. Talvez até no dia da entrevista sua vítima te esclareça isso.

7- Referencial

Depois de ler as palavras que vão nortear sua escrita e pensar no o quê e no como, escreva a lista de referencial teórico e uma frase curta que sintetize MUITO o que o autor diz. Aí você vai estar preparado para fazer uma das coisas mais importantes: o plano de escrita, O MAPA MENTAL.

8- Mapa Mental

Eu amo mapas mentais. Para tudo. Desde planejar a semana até apresentar um trabalho em congresso.
Mapa mental é uma poderosa técnica gráfica que permite desbloquear o potencial cerebral. Concentra grande parte das capacidades relacionadas com palavras, imagens, números, lógica, ritmo, cor e espaço, numa única ferramenta (BUZAN, 1981). É ainda um instrumento de orientação poderoso (DIMAS, 2016). É uma ferramenta que usa os dois hemisférios do cérebro e possibilita treinar a memória criativa, organização de informação e ideias e associação de informação (BUZAN, 1990)
Um mapa mental usa cores, linhas curvas, imagens e associação de ideias (DIMAS, 2016)
A ideia central é escrita no meio de uma folha apenas em UMA palavra, as ideias periféricas vão se acoplando num segundo espaço e sucessivamente as ideias seguintes, todas naturalmente associadas com a lógica que você está criando.
Tenho um texto só sobre MAPA MENTAL aqui no blog. Procura lá.
Então, formado seu Mapa, seu plano de escrita, você já tem o tema, cada tema secundário pode ser um tópico de análise ou capítulo, cada ideia terciária pode funcionar como norteador da escrita dos parágrafos e até como definidor das frases importantes que constarão no projeto. Gostou? Eu amo. Eu falo isso há dois anos aqui no blog.

9- Escreva!

Observe seu Mapa Mental e as normas de escrita do pré-projeto que constam no edital de seleção. Obedeça as etapas sugeridas, que não verdade não são sugestões não, tá!? Aqui eu mando a real!
Geralmente são: título, nome, orientador, linha de pesquisa, introdução, metodologia, resultados, discussão, conclusões e referenciais. Alguns pedem cronograma também. Isso eles fazem só para verificar se você não é sem noção. Eles sabem que esse cronograma é furado. Tem questões no mestrado, especialmente na entrevista que são quase como um teste psicotécnico. Sobre isso falarei em outro artigo “Entrevista de mestrado”. Rezem para que seja ainda esse ano, rss..

10- Revise

Revise com cautela. E tenho dito.

É isso, espero ter ajudado. Esse é o conjunto das minhas experiências que me renderam uma nota muito boa no meu pré-projeto de mestrado. Agora é com você.

Com amor,

Ju.

segunda-feira, 6 de março de 2017

SORTEIO NO BLOG

Queridxs,

Na semana passada eu publiquei o artigo "Identificando o Essencial nos Estudos" na revista Master of Simplicity, que modéstia passando longe, ficou bem legal!

A revista em sua segunda edição é paga e os valores não são em reais. Masssssss, Fátima Teixeira, a criadora da revista, sabendo de nossa situação bem brasileira, nos presenteou com 6 cupons de desconto para acesso! PARA TUDO!

Um cupom é para acesso gratuito e os outros cinco para 50% de desconto, onde no total a revista sai por cerca de 5 reais. Assim melhorou, neah, gente!? Então, corre!

Você pode deixar um comentário ou se tiver alguma dificuldade pode me mandar um email (julianaprata.prof@gmail.com) ou me mandar um zap 21 986563125. O sorteio vai rolar amanhã, dia 07/03/2017, as 20h no blog, no face, na rua, na chuva...vai ser legal!

Gratidão por tudo, queridxs,
Com amor,
Ju.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Vida Acadêmica e Viagens: entrevista com Vinicius Monção

Oie, amigxs.

Hoje no blog temos a honra de receber nosso primeiro convidado para uma entrevista.  E que convidado, minha gente! Vinicius Monção é um homem profundo e em constante construção. Ele é professor universitário, fotógrafo, doutorando em Educação, viajante experiente, mas, mais do que a preocupação com rótulos, sua vida se baseia em viver bem. Vinicius concilia estudos, trabalho, casa, família, fotografias, artes, viagens e tudo mais. Ele fala nesta entrevista sobre o equilíbrio na vida, sua vida acadêmica, suas viagens como projetos de formação pessoal e muito mais. Ah, ele também fala como se estabelece sua metodologia de estudos e dá muitas dicas.

Vinicius, muito obrigada pela oportunidade de nos conceder essa entrevista. Gente, pensa num cara discreto? Pois é, é ele. E quem quiser conhecer mais do trabalho fotográfico do Vinicius Monção pode conferir em www.viniciusmoncao.com



Sua Vida Acadêmica: Você tem uma rotina de estudos? Fale um pouco sobre ela.

Vinicius Monção: A palavra "rotina" me assusta um pouco. Não gosto de estruturas fixas que possuem poder de aprisionamento e por isso sigo meu próprio caminho de trabalho. Eu optei por trabalhar com mapeamento e cronograma de tarefas, assim consigo sempre visualizar o que tenho que fazer e qual meu tempo hábil para a produção. Se tenho que entregar um texto para dois meses a frente, estabeleço, em um papel, o que preciso fazer e monto um cronograma. Não deixo nada para o último dia. O que puder fazer para terminar antes eu faço. Isso permite agilidade no processo e me garante tempos livres para o ócio e para fazer outras coisas que a priori não haveria tempo. A partir desse cronograma produzo a partir do meu estado de espírito e conciliando as tarefas do dia a dia. Quem vê de fora diz que eu não tenho rotina de estudo, o que é verdade. Eu não tenho rotina, tenho uma metodologia de trabalho que consegui construir e está pautada no meu modo de vida.


SVA: Viagens são uma de suas paixões e você não deixou de viajar nesse período do doutorado. Como foram/ são as estratégias para equilibrar trabalho-estudos-paixão?

VM: Não deixei e espero nunca precisar deixar. Nossa sociedade é formada por oposições. Trabalho e lazer. Amor e ódio. Alegria e tristeza. etc... Nós crescemos nessa binaridade e nunca a questionamos (pelo menos a maioria da população). Eu penso da seguinte forma. Tudo que faço é uma opção minha. Se é opção minha elas não podem ser opositoras e sim complementares. Se são complementares cada uma deve coexistir sem sufocar a outra. Encontrar o equilíbrio entre as tarefas é a chave da felicidade e do uso mais prazeroso da vida e do tempo que dispomos. As forças complementares são mais fáceis de gerir que as forças opositoras.
A partir dessa perspectiva eu monto um cronograma de trabalho de forma que eu possa me dedicar as tarefas do doutorado ou do trabalho no momento em que elas são necessárias. Assim produzo e durmo o tempo necessário ao meu descanso. Vou à praia. Vou ao cinema e faço tudo o que tenho vontade e necessidade. Antes de mais nada, vale apontar que não sou hedonista. Só acredito que viver bem significar conseguir equilibrar as demandas da vida.


SVA: Como são para você as experiências que adquirimos nas viagens?

VM: Considero o ato de viajar é o momento de se encontrar e se conhecer, antes de mais nada. É no caminho que consigo me perceber no mundo. É no trajeto, fora da segurança de casa e do amor dos que são próximos a mim que consigo perceber minhas fraquezas e pontos fortes. Sempre viajo com algum propósito pessoal e nunca encontro respostas. Ao contrário. Minhas perguntas são respondidas com outras perguntas. A última que fiz foi com minha mãe. Fizemos uma peregrinação. Nessa viagem me encontrei com o tempo. Vi o tempo passar. Vi minha mãe mais velha e eu também. Me vi em um outro momento da nossa relação e isso foi lindo.
Entendo que as viagens, para mim, são momentos de formação individual. Elas fazem parte do  meu projeto de formação intelectual e humana. Elas me proporcionam emoções, aprendizagem e referências que nenhum livro ou curso me permitiria. Ainda sobre essa última viagem (comento novamente sobre ela pois é a mais fresca na memória), quando eu entrei na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, o que mais me comoveu foi a capacidade humana em interpretar e criar rituais. Ali, no meio de tantos cristãos, percebi que o ramo do catolicismo que sigo é uma poeira frente ao mundo de possibilidades de experimentar o cristianismo que existe no mundo.
Viajar é muito mais que turismo (embora seja a principal associação que muitos fazem). Gosto tanto de viajar que estabeleci essa temática para minha pesquisa de doutorado. Só para matar a curiosidade, investigo a formação profissional de uma professora brasileira do século XIX-XX, Maria Guilhermina Loureiro de Andrade, a partir do ponto central que foi uma viagem que ele faz a cidade de Nova York entre os anos de 1883 e 1887. Na pesquisa eu viajo na viagem dela, rs. Se quiser saber sobre minha pesquisa clique no link: https://www.academia.edu/27255560/Viajar_para_aprender._Maria_Guilhermina_Loureiro_de_Andrade_e_sua_viagem_%C3%A0_cidade_de_Nova_York_1883-1887_


SVA: Você tem outros hobbies? Quais?

VM: Sim. A fotografia que é uma relação de amor e ódio. Aprendi a fotografar na marra em razão de um trabalho que tive certa vez e daí em diante não parei. Gosto de fotografas arquitetura. O traçado arquitetônico das cidades me encanta. Minha questão com a fotografia é a mesma coisa da primeira pergunta. Quando me percebo muito envolvido com ela, quando começo a ver como uma obrigação ou ela cai na rotina, eu me afasto. Ela sai do equilíbrio e para reencontrá-lo é necessário dar-me tempo. Nesse momento estamos de bem. Construí até um sítio, se quiser ver minhas fotos é só clicar aqui: www.viniciusmoncao.com


SVA: Como tem sido seu processo de composição do texto da tese?

VM: Escrever não é uma tarefa fácil. Pelo contrário! Acho muito difícil escrever textos acadêmicos principalmente por eu não ter tido uma boa formação da língua escrita no período escolar. No entanto eu sei que escrever é técnica e prática. Quando mais escrevemos mais possível a coisa fica. A escrita da tese passou pelo momento da "crise do quadro branco". Aquela que você fica sentado na frente do computador com o editor de texto aberto e não consegue encontrar o "como" ou "por onde começar". Quando encontra o texto caminha. Segue seu fluxo. Atualmente estou no meio da tese e confesso que estou muito feliz com o resultado que alcancei. Aprendi a escrever e vejo o quando consegui aperfeiçoar durante minha jornada acadêmica. Fiquei feliz pois a persistência e os tombos de fato são importantes para o processo de formação individual. Ah, uma dica. Forçar a escrita não é um bom artifício para escrever. Se você se sentir bloqueado não se force. O texto vai começar truncado e vai ser um parto terminá-lo. Busque outras leituras. Selecione algum material que possa te ajudar e que se relacione com o assunto como imagens, músicas, vídeos... qualquer coisa. A melhor forma de se inspirar é buscar elementos em lugares que não são comuns para você. É assim que faço e dá certo.


SVA: Qual a importância da relação da relação com o orientador na pós-graduação?

VM: Para mim é primordial! Uma relação ruim com o orientador é um passo para o sofrimento e não sucesso do processo. Felizmente eu consegui encontrar uma pessoa muito próxima, acessível e humana para me orientar. Tanto que no final do mestrado a consultei se ela teria interesse em me orientar no doutorado. Esse foi o principal fator que me fez continuar no grupo de pesquisa que faço parte a fazer doutorado em outra instituição. O investimento na relação humana demanda tempo e disponibilidade dos sujeitos.


SVA: Quais são os desafios de trabalhar e cursar o doutorado?

VM: Conciliar trabalho e estudo nunca é fácil e essa equação se torna mais difícil em uma pós graduação. Penso que no mestrado o processo é mais agressivo que o doutorado em razão da duração dos cursos (2 anos e 4 anos). No doutorado, felizmente, gozo de um estilo de vida que consegui construir. Sou bolsista CAPES, sou docente no ensino superior (no momento substituto/temporário pois no Brasil não se pode ter carteira assinada e ser bolsista). Atualmente o mais difícil é pensar no término do curso. A situação política e econômica me assusta diariamente já que campo de trabalho, também (!!!) para quem tem título de doutor, está cada vez mais depauperado, escasso e desvalorizado. Mas sobre isso não vale me deter atenção. Para cada tempo as suas angústias.     


SVA: Em uma frase, como você resumiria sua vida acadêmica?

VM: Faça o que te traga satisfação e nunca se violente.

Bem, é isso, gente. Bom demais, não?
Espero que tenham gostado.
Sua Vida Acadêmica cumprindo as promessas de ano novo!!

Com amor e muita gratidão ao Vinicius e a você leitor,
Ju.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Princípio 80/20

Você já ouviu falar do princípio 80/20? Princípio de Pareto? Lei do menor esforço? Então, todos são sinônimos. Estudei Pareto na faculdade, e tenho uma amiga que simplesmente o ama. Sim, é a Elisa, sempre citada neste blog. Mas nos meus estudos de Ciência Política não tinha nada disso de menor esforço não, muito pelo contrário.


Esse princípio é uma releitura da observação que Vilfredo Pareto fez sobre determinados acúmulos que percebia nos meios sociais e o exemplo mais exponencial disso é cerca de 80% das riquezas se concentrarem nas mãos de 20% da população. A partir daí, muita gente da administração, gestão da produtividade e afins aplicaram a outras realidades.

O princípio cerne que vamos trabalhar aqui é que 80% dos seus melhores resultados provêm apenas de 20% do seu esforço. Isso é sério. Leia de novo.

Isso significa que não aproveitamos o que temos de melhor, significa perdermos o que vai nos trazer melhor impacto em direção as nossas metas pessoais e profissionais.
O recado de hoje aqui no Sua Vida Acadêmica é: descubra o que você faz acima da média e invista nisso.
O livro Descubra seus Pontos Fortes trata desse assunto com excelência. Sua abordagem trata de investir dinheiro, tempo e foco no que você faz de melhor, e levar no nível “mínimo aceitável” coisas que você não é tão bom. Quando li fiquei tão impactada com a mensagem que tive que compartilhar com minhas amigas Aliria, Amanda e Raquel. Espero que tenha sido útil, meninas.

Segundo a pegada do livro, vivemos numa sociedade que tenta expugar nossos pecados por meio de tentar ser bom no que somos ruins e isso é uma grande perda de tempo.
Descobri com esses livros que sou boa em falar e escrever e por isso cancelei algumas coisas que iria fazer em 2016 e 2017. Dou preferência agora a cursos, livros, palestras que falam sobre falar em público e escrita acadêmica.  Somos capazes de tudo, mas não de tudo ao mesmo tempo. Temos que selecionar. E escolher é saber também dizer não.

Corta para o pensamento 20/80. Pensar que 20% das suas ações são responsáveis por 80% dos seus resultados é pesado. O pensamento da sequência é, como posso melhorar meus 20%, porque, sim, se você dobrar seus 20% de ações muito muito boas, você impactará não mais 80%, nem mesmo 100%, mas 160%. Logo, dobrando os seus resultados.

Ao longo dos meses, depois de conhecer esse princípio percebi alguns novos hábitos que aumentavam minhas melhores ações, meus 20%. Como a única coisa que tenho e posso trazer são minhas experiências pessoais, vamos lá:

- Ler livros em inglês
- Ler livros sobre finanças
- Escrever artigos sobre os cursos de extensão que tenho trabalhado
- Viajar alguns finais de semana para repor as energias
- Encontrar minhas amigas com mais regularidade (Tô devendo, migas suas locas)
- Passar tempo com meus avós, que são octogenários.
- Fazer meditação e afirmações positivas
- Estudar sobre sonhos lúcidos  (Gente, cruz credo, é muito legal)
- E curtir minha família.


Essas atividades tem causado um impacto importante e acho legal se você relativizar e tentar pensar nas atividades que podem melhorar seus resultados. Com simplicidade. Sem muitos floreios.

Eu acho que o que importa é sempre ter em mente a pergunta “o que importa para mim?” Pensando nisso, a resposta fica clara e seu planejamento de vida, carreira e estudos pode ser mais simples e com foco.

E você, o que importa para você?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

SEIRI: sobre o senso de utilização na vida acadêmica


Oi amigxs!
Tudo bem com vcs?

Nosso assunto de hoje é o SEIRI, você já ouviu falar? Bem, esse é o nome de um dos cinco pilares de uma técnica japonesa de nome 5S para a produtividade, bastante difundida no mercado empresarial. SEIRI significa senso de utilização, separar o útil do inútil antes do processo de criação. Preparar o espaço.

Bem, quando li sobre o SEIRI achei que tem tudo a ver com o blog e com vocês, queridos leitores. Para mim, a palavra chave depois de organização no SEIRI é clima. Você prepara o clima para produzir.

Tirar o inútil da sua mesa de trabalho não significa que aquele objeto terá como destino imediato a lixeira. Não. Significa que no momento do processo criativo, em nosso caso, comumente a escrita, aquele objeto não tem uma utilidade emergencial e, portanto, não precisa ficar em cima da mesa, pode ir para o armário, por exemplo. Sua mesa não precisa ser bagunçada. Eu juro. A primeira mesa linda que vi e disse “quero ser assim” foi de uma amiga, Mirela. Sempre chique e organizada. Tenha você também uma Mirela para se espelhar! Bj, Mi.

Acho a mesa de trabalho muito importante para o desenvolvimento de qualquer ação e naturalmente sua organização. Vejo umas mesas de colegas que me dá até medo. Aquele papo que “eu me entendo na minha bagunça” é verdadeiro, sim, eu mesma vivi isso muito tempo. Mas, galera, ter cada coisa em seu lugar não tem comparação. E ter poucas coisas então... ah, eu amo o minimalismo. Já contei aqui minha saga com meus títulos eleitorais e as carteirinhas de plano de saúde... Não quero mais isso para mim.

Os princípios do SEIRI são:
1-    Definir qual atividade importante eu devo fazer;
2-    Identificar o tipo de arrumação de acordo com a utilidade imediata dos objetos;
3-    Evitar sempre o desnecessário e o desperdício;
4-    Descartar o que você não vai usar agora: pode ser em outro local ou no lixo mesmo.




A atividade do SEIRI pode ser aplicada no seu computador também. Caso você tenha espaço, não precisa deletar nada, mas organizar é fundamental. Eu defino a quantidade de pastas nos “meus documentos”, de acordo com o número de projetos que estou envolvida. Exemplificando: Acadêmico- Trabalho e Pessoal. E dentro de cada item, eu desdobro os projetos que estou envolvida. Na pasta Acadêmico, por exemplo, tenho as pastas Congressos, Artigos, Resumos, Rascunhos e Publicações.

Dessa forma, eu me ajudo quando vou salvar um email que a minha orientadora me mande, por exemplo. Vou salvá-lo sempre buscando um padrão para facilitar meu arquivamento e minha futura procura. Geralmente fica assim: Academico.Resumos.Alas2017

Se o documento que estou escrevendo é para o blog, eu salvo: Academico.Publicações.Blog.SEIRI

Desse jeito eu me acho bem fácil.

Caso você esteja mexendo em um artigo, recomendo salvar com a data na frente, assim você evita os nomes ARTIGO.FINAL; ARTIGO FINAL. FINALÍSSIMO ou até o AGORA.ACABOU.MESMO.O.ARTIGO. Eu nem ligo mais, mas isso é vergonhoso, tá!?

Deixa bonitinho: 27.01.2017.Academico.Congresso.Alas2017. No futuro você vai ver que vale a pena.

Ah, uma coisa legal de falar também é para não jogar fora as maluquices que a gente escreve e não gosta depois. Eu tenho uma pasta de rascunhos que sempre me salvam para dar o pontapé inicial em um novo processo de escrita.
Essa aplicação do SEIRI facilita a localização de informações e objetos, otimiza seu espaço, aumenta sua produtividade, organiza mais e você aproveita mais seu tempo e recursos.

Espero que seja útil para você.
Com amor,

Ju.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Como escrever todos os dias



Eu escrevo todos os dias, há muitos anos. Essa rotina me ajuda muito a escrever cada vez mais e com mais clareza. Escrevo meu diário da gratidão, postagens para blogs, artigos acadêmicos, de opinião, projetos, relatórios, apontamentos para orientandos, escrevo ainda meu diário de bordo no trabalho, e-mails e meu planejamento de vida e de trabalho, claro que não tudo ao mesmo tempo. Eu sou uma pessoa normal. Tenho até família. É que  eu AMO ler e escrever. Na verdade, acho que é o que eu realmente aprendi nessa vida. \o/  



Um beijo pra Tia Sônia que me alfabetizou! 💓💓

O estabelecimento de uma rotina de escrita faz com que outros hábitos sejam beneficiados indiretamente e você acabe compondo uma sequência de atividades que te ajudam. Por exemplo, sempre ao ligar o computador eu faço meu chá. É uma rotina correlata que me ajuda muito a pensar e me hidratar enquanto estou produzindo. Lembrando que rotina não tem a ver com a hora, mas com a sequência de coisas que você faz.

A rotina da escrita diária me ajuda a escrever mais rápido e a ter mais objetividade e simplicidade no tratamento da informação e na operação com conceitos. Geralmente começo a atividade de escrita com um Mapa Mental que me guia na execução de uma tarefa, depois me desconecto da internet e faço um download da mente. Eu tento...rs.

Existe um mito sobre a escrita que é a ilusão que um texto nasce pronto, praticamente ”parido”. Bem, não é bem assim... não é assim mesmo. A atividade da revisão e da edição é tão importante quanto a composição do texto. Talvez até mais. Vocês não imaginam o quanto releio, reviso e leio para o Gustavo, meu marido e editor (ou quase).

Se você quiser escrever também todos os dias, seguem minhas dicas:

1-      Escreva rápido, revise  e edite bem d-e-v-a-g-a-r-r-r-r-r-r-r
2-      Escreva sempre no mesmo lugar, ajuda a engrenar a mente.
3-      Escreva num lugar organizado e sem distrações.
4-      Off-line, claro, né non!?
5-      A atividade de escrita começa na noite anterior, deixa tudo arrumadinho que dá mais ânimo.
6-      Esteja motivado, entenda as razões pelas quais é importante para você escrever.
7-      Planeje sua escrita, faço um mapa mental do que quero abordar e o sigo com amor.
8-      Planeje sua escrita anual. Eu uso um pipeline, tipo um calendário que marco quando os projetos vão pegar fogo e evito assim agendar duas grandes atividades de escrita para o mesmo mês, por exemplo.
9-      Se hidrate.
10-   Caminhe.
11-   Tenha regularidade. Especialistas afirmam que são necessários 21 dias para a formação de um novo hábito. Tenta. Você vai ter bons resultados, caso goste de escrever, claro.
12-   Converse com alguém sobre suas metas de escrita. Eu participei de um desafio há uns anos de um site inglês, mas infelizmente eles encerraram as atividades. O lance era escrever 500 palavras por dia (mais ou menos uma página). Era bem legal. Se tiver animado, a gente lança um por aqui! Hehehe.

Esse texto foi inspirado no meu guru Leo Babauta, do blog Zen Habits. Ele narrou sua atividade diária de escrita no artigo How To Write Every Day e me apaixonei. Se quiser ler a rotina dele, confere lá! Dá um Google.

Com amor, 💕💕💕💕💕😎

Ju.